CRIS BERTOLUCI

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Ser plural significa expandir nossas percepções numa experiência coletiva de mundo, onde todos possam expressar seu eu com respeito e admiração. No progresso dessa multiplicidade de manifestações pessoais é possível desenhar um espaço mais fértil, um mundo melhorado para todos.

Nessa perspectiva, de ampliar novos olhares, convidamos a bruxona têxtil (como ela mesmo se define) Cris Bertoluci, para cocriar com o Made by You, artesanias que reivindicam acalento e aconchego.

A seguir, ela fala um pouco sobre a sua caminhada na reinvenção do fazer manual.

MBY: QUEM É CRIS?

CRIS: Nascida em Caxias do Sul, RS, tricota desde os 8 anos de idade. Formou-se em Moda e Estilo pela UCS em 2007, onde também estagiou no departamento de criação na revenda de máquinas Shima-Seiki. Em 2007 mudou-se para São Paulo, onde teve breve passagem na marca de fios Aslan e trabalhou como designer de produto e estilista de fast fashion. Em 2011 fez o curso de Criação em Tricô pelo Atelier Knit-1 em Brighton, na Inglaterra, o que ajudou a mudar a visão sobre o que é criação em Moda e voltar com a sede de valorizar e expandir o conhecimento das técnicas manuais no Brasil. É mestre em Têxtil e Moda da Universidade de São Paulo (USP). Ajudou a fundar o TresPonto e o Coletivo Feito a Mão, onde a experimentação têxtil era a base da criação. Em Abril de 2015 fez parte da exposição FIO na CasaSinLogo com esculturas têxteis. Oferece cursos de Tricô, Crochê, Macramé, Criação, Modelagem, Arte Têxtil. Produtora de eventos sobre o manual como FESTA do Sesc Consolação (2017), co-curadora com Marcello Dantas das oficinas do evento Fio da Meada do Iguatemi (2016), co-idealizadora do FIO — Retiro Manual com Flávia Lhacer e Sítio Duas Cachoeiras. Desenvolve peças em Tricô e Crochê sob medida, com peças feitas para desfiles de marcas como Cotton Project, Neon e Juss.

MBY: COMO SE DEU O ENCONTRO DE AMOR COM O TRICÔ?

CRIS: Desde pequena eu via minha mãe tricotando e sempre quis aprender. Lembro das primeiras vezes que eu não conseguia tricotar e lembro quando finalmente consegui, haha. Eu devia ter uns 8 anos mais ou menos. Nunca foi aquela paixão avassaladora, foi mais uma amizade que cresceu aos poucos, hehe. Na faculdade de moda eu adorava as aulas de malharia retilínea, onde usamos máquinas de tricô para criar pontos e, por muita sorte, estagiei em uma empresa que revendia máquinas japonesas de tricô. A experiência foi muito intensa e completa, aprendi muito sobre modelagem, fios, programação, padrões e máquinas. Mas foi só depois de fazer o curso de criação em tricô em Brighton, na Inglaterra, que tudo foi se encaixando, as aulas foram surgindo, fui conhecendo pessoas com interesses em comum e muitas outras se voltaram ao manual.

MBY: O QUE O HANDMADE REPRESENTA NA SUA VIDA HOJE?

CRIS: Acho que representa a minha vida, o que eu vivo. Já não tenho mais como separar ou tirá-lo de mim. Onde quer que eu vá e o que quer que eu faça, sempre tem handmade envolvido. Virou uma maneira de pensar e um norte para a minha vida, onde todos os planos envolvem o fazer manual. É o manual que paga meus boletos e é o manual que me levou as melhores amizades e sociedades que tenho hoje. Me levou a um crescimento como empreendedora, autônoma, empresária e pensar mais longe e como ajudar os outros.

MBY: QUAL O PROPÓSITO DO TEU TRABALHO?

CRIS: Hoje em dia é dar as ferramentas para que cada pessoa desenvolva a sua identidade e criatividade dentro das técnicas manuais. Quero transcender o ensino manual para que as pessoas também se vejam como criativas com linhas e agulhas. Como estilista sei que passamos anos seguindo tendências ditadas por poucos nomes. Acredito que o mundo hoje está se abrindo cada vez mais para exaltar o diferente.

MBY: QUAIS SÃO TEUS SONHOS, DESEJOS?

CRIS: Que o manual seja cada vez mais valorizado e que ocupemos mais espaços contando as histórias que se relacionam com as técnicas. Queria viajar o mundo aprendendo as histórias de cada técnica e como as pessoas se relacionam com elas. E, principalmente, uma história de como as técnicas chegaram ao Brasil.

MBY: FALE UM POUCO SOBRE COLABORAÇÃO NO HANDMADE, COLETIVIDADE.

CRIS: O trabalho manual tem uma história de relacionamentos, sejam de trabalhos em famílias ou de amigas que se reuniam para desenvolver trabalhos manuais. Hoje essas conexões são reforçadas pela internet. É muito louco pensar que, em plena era da informação, estamos desenvolvendo mais manual, né? Mas a internet veio para conectar interesses comuns também e despertar a curiosidade. Eu já trabalhei com um coletivo, que foi um momento mágico da minha carreira: imagina que o trabalho é reunir as amigas em casa e fazer tricô e crochê? Era lindo. Hoje minhas colaborações são mais subjetivas, mas ainda muito forte. Não consigo fazer um trabalho como acontecia quando trabalhei em moda, terceirizado: alguém pede para reproduzir algo. Gosto mesmo da criação, de pensar em como unir os pensamentos em um projeto.

MBY: COMO O HANDMADE PODE TRANSFORMAR A VIDA, SAÚDE E PROPORCIONAR BEM ESTAR?

CRIS: Eu sou seguidora fiel de uma das frases das mulheres de Bauhaus que diz que a criação é a união da cabeça, das mãos e do coração. Em primeiro lugar, materializar pensamentos como fazemos com handmade é muito importante em um momento que estamos com a nossa cabeça tão carregada. Ter um momento para deixar as mãos tomarem conta dos nossos pensamentos é calmante. Tenho uma frase que eu sempre falo quando faço o Tricoaching com a Marisa Bussacos que é “mãos em movimento acalmam a mente ansiosa”. Em segundo lugar, ter um tempo pra gente, para desenvolver algo, é importante. Fazer um trabalho manual é ótimo para a autoestima, muitas vezes somos forçados a acreditar que quem tem potencial são outros. Mas todos nós temos potencial em nossas mãos, é só começar a desenvolve-lo.

Cris acredita que fazer tricô é conquistar independência criativa, uma ferramenta para que a pessoa se encontre no centro da criação. Com peças atemporais e bem confortáveis, ela busca no movimento do fazer manual acalmar a mente ansiosa. Sua colabe com Made by You é uma celebração de peças que resgatam aconchego e memória.

por Luana Esther Geiss

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Uma comunidade para conectar criativos artesãos, encorajar um novo olhar e para habilitar suas mãos num ritual intimista.

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